quinta-feira, 2 de maio de 2013


O herói da cavalaria andante na Idade Média

Percival no castelo de Brancaflor

Percival cavalgou o dia inteiro na floresta, solitário. Sentia-se muito mais à vontade doque se estivesse em campo aberto.


A noite caía quando enxergou uma fortaleza, bem situada, mas fora dela só se via mar,água e terra desolada.

Percival passou por uma ponte toda bamba e bateu no portão.

Uma moça magra e pálida apareceu à janela:


“Quem bate?”


“Um cavaleiro que pede hospedagem para a noite.”


A moça desapareceu e quatro homens de armas de aspecto miserável vieram abrir o portão.


Percival seguiu-os pelas ruas desertas, ladeadas de casebres caindo aos pedaços. Nem moinho para moer, nem forno para assar. Nenhum sinal de homem ou mulher, dois conventos abandonados...


Chegaram ao palácio com parapeito de ardósia. Um criado levou o cavalo a um estábulo sem trigo nem feno, com apenas um pouco de palha... Outro conduziu Percival a uma bonita sala onde dois homens de certa idade e ar debilitado foram ao seu encontro.


Uma jovem os acompanhava. Seus olhos eram sorridentes e claros, seus cabelos louros caíam como ouro fino sobre os ombros cobertos por um manto de púrpura escura, ornado de pele de esquilo e com as bordas de arminho. Nunca houve moça mais linda do que ela. Seu nome era Brancaflor.


Ela deu a mão a Percival, levou-o para um grande quarto com o teto todo esculpido e pediu-lhe que se sentasse ao lado dela, na cama coberto de brocado.


“Aceite nossa casa tal como é. Não há fartura de nada, como verá. Temos apenas seis pães que o superior do convento, meu tio, me mandou para a ceia desta noite. Não háoutro alimento, salvo um cabrito selvagem que um dos meus soldados caçou esta manhã.”


Dito isso, ela ordenou que pusessem as mesas. Todos se sentaram, e o jantar foi breve.


Percival foi se deitar, ainda morto de fome. Mas os lençóis eram imaculadamente brancos, o travesseiro macio, as cobertas ricas. Adormeceu. Foi acordado por um choro bem próximo do seu rosto. Surpreso, viu Brancaflor soluçando de joelhos diante da cama, com um manto curto de seda escarlate jogado em cima da camisola.


“O que houve, minha bela? Por que veio aqui?”


“Não me julgue mal. Estou desesperada. Faz um longo inverno e um longo verão que o senescal de Clamadeu das ilhas, o pérfido Anguingeron, nos sitia. Sobram apenas cinquenta cavaleiros dos trezentos que formavam a guarnição daqui. Os outros morreram ou estão presos. Nossas provisões, como viu, se esgotaram. Não há nem obastante para o almoço de uma abelha! Amanhã nos renderemos, e eu serei entregue com o castelo. Mas eles não vão me pegar viva. Antes de me entregarem, eu me mato. Foi isso que vim lhe dizer.”

A espertinha sabia o que estava fazendo. Nenhum cavaleiro seria capaz de ouvir indiferente tais palavras. Percival exclamou:

“Enxugue suas lágrimas, bela amiga. Vou defendê-la amanhã. Desafiarei o senescal  Anguingueron para um combate singular e o matarei!”

Na manhã seguinte, pediu suas armas, vestiu-se, montou a cavalo e saiu do castelo.

Anguingueron estava sentado diante da sua tenda, entre os sitiantes. Viu Percival se aproximar, armou-se, pulou no cavalo e perguntou:

“Veio em busca de paz ou de batalha?”

“Responda primeiro: o que você veio fazer aqui? Matar os cavaleiros e devastar a terra?”

“Quero que o castelo se renda, e quero a moça.”

“Ao diabo, você e suas palavras!”

Percival abaixou a lança e os dois adversários se precipitaram um contra o outro a toda velocidade sobre seus cavalos. Foi um combate longo e furioso, mas o senescal acabou indo ao chão. Gritava:

“Piedade! Poupe-me! Não seja cruel!”

Percival lembrou-se do conselho do bom Gornemant e hesitou.

“Se você tem um senhor, mande-me a ele”, insistiu senescal. “Contarei a sua vitoria e depositarei nas mãos dele minha sorte.”

“Então vá ver o rei Artur. Cumprimente o rei por mim e peça que mostrem a você a moça que foi esbofeteada por Keu por ter rido ao me ver. Entregue-se prisioneiro a ela e diga-lhe que eu espero não morrer antes de vingá-la!”

Percival voltou ao castelo sob as aclamações dos sitiados. E Brancaflor, desde então, amou-o.

 

( Jaqueline Mirande. Contos e lendas da Távola Redonda. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Cia das Letras, 1998. P.47-53.)

 

Vocabulário:

Brocado: tecido de seda com relevos de ouro e prata.

Combate singular: combate entre apenas dois cavaleiros.

Escarlate: cor vermelha muito viva

Hesitar: demonstrar dúvida, incerteza.

Imaculado: que é puro, sem manchas; de perfeita brancura.

Pérfido: desleal, traiçoeiro.

Sitiado: que está cercado.













quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013



Literatura
 
Mito
 
A narrativa mítica e suas características

 
Mitos são narrativas criadas por sociedades primitivas (como a dos antigos gregos e romanos) para explicar a origem e o destino da humanidade, a vida, a morte, os sentimentos e comportamentos humanos, os fenômenos da natureza. Além dessa função de explicar o mundo, os mitos também servem como exemplos de vida pra as pessoas dessas sociedades.

Nos episódios mitológicos há sempre a presença de um deus, ainda que ele possa não ser a personagem principal. Conheça alguns deuses da mitologia grega e os elementos a que eles estão associados.

 

- Afrodite: ao amor e à beleza.

- Apolo: à beleza, à poesia, à música.

- Atena: à sabedoria e à serenidade.

- Cronos: ao tempo.

- Dionisio: à cultura a uva, ao vinho e ao teatro.

- Eros: ao amor e à paixão.

- Hera: ao casamento.

 

·         Os mitos se originaram na tradição oral: eram contados de geração em geração, o que garantiu que, muito tempo depois de criados, eles fossem registrados por escrito.

·         As personagens míticas são consideradas exemplos de superação e perfeição moral. Segundo os estudiosos, os mitos serviam, na cultura primitiva, de fundamento para as crenças e os rituais religiosos e até para a conduta social.

Tempo e espaço

·         O tempo mítico está relacionado ao tempo das origens. Expressa o passado distante e narra fatos separados por um intervalo de tempo muito grande. O tempo narrativo marca o momento em que os fatos se desenvolveram.

·         Em geral, o espaço mítico é um lugar sagrado, que se caracteriza por se opor ao habitado pelos seres humanos. O espaço do Olimpo é uma referência constante nos mitos gregos. O espaço narrativo marca o lugar onde os fatos se desenvolvem.

 

 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Revisão - Pronomes


Pronomes possessivos

- São os pronomes que indicam ideia de posse: meu, teu, seu, nosso, vosso.

Exemplo: Minha mãe é muito legal.

Pronomes indefinidos

- São os pronomes que se referem de modo vago e indeterminado à terceira pessoa do discurso. Eles podem ser variáveis ou invariáveis:

Variáveis                                          
     Invariáveis
Algum, alguma, alguns, algumas, certo, certa, certos, certas, muito, muita, muitos, muitas, nenhum, nenhuma, nenhuns, nenhumas, outro, outra, outros, outras, pouco, pouca, poucos, poucas, qualquer, quaisquer, quanto, quanta, quantos, quantas,tanto, tanta, tantos, tantas, todo, toda, todos, todas, vários, várias.
 Algo, alguém, 
cada,   nada, 
ninguém, tudo.          .

 
                         *Importante             
             Palavra vaiável e invariável


Palavra variável é aquela que concorda em gênero( masculino, feminino) e número( singular, plural) com a palavra à qual se liga:

Exemplo: Muitos amigos  / Muitas amigas  são

Palavra invariável é aquela que tanto se refere ao masculino quanto ao feminino, no singular ou no plural, sem nenhuma modificação:

Exemplo: Tudo é muito simples / Algo de bom acontecerá a você.
 

Pronomes interrogativos

- São as palavras que, quem, qual e quanto, usadas para formular uma pergunta:

Exemplo: Que livro você está lendo? / Quantos anos você tem?
 
* Os pronomes que e quem são invariáveis. Já o pronome qual flexiona-se em número (qual/quais) e o pronome quanto, em gênero e número (quanto/quantos/quanta/quantas).
 
Pronomes relativos
- São aqueles que se referem a um termo anterior, chamado antecedente. Os pronomes relativos podem ser variáveis ou invariáveis:

Variáveis

          Invariáveis

O qual, os quais, a qual, as quais – cujo cujos, cuja, cujas- quanto, quantos, quanta, quantas.

      Onde, que, quem.

 
Exemplo: O livro que peguei na biblioteca é ótimo
Atividades
1) Complete as frases com pronomes possessivos:
A)Eu gastei ___ economias e ainda fiquei sem ____ geladeira.
B) André levou ___ carro para consertar e esqueceu___ luvas no banco.
C)Eu já entreguei ____ redação para a professora. Você já entregou a ___?
2) Sublinhe os pronomes indefinidos:
A) O garoto gastou toda a tarde andando pelas ruas.
B) Não posso fazer nada por você.
C) Todos juntos somos fortes.
D) Sempre é bom ter alguém perto de nó.
E) Certas histórias causam medo.
3) Substitua o * por pronomes interrogativos.
A) * alunos compareceram hoje?                           D)* é o responsável pela turma?
B) * horas são?                                                               E) * participarão da reunião?
C) Poderiam me informar * alunos faltaram?
4) Complete as frases com pronomes relativos:
A) Os doces de ___ mais gosto estão fresquinhos!
B) A escola ___ estudo fica perto de casa.
C) Cortaram a árvore ___ tronco estava com cupins.
D) Não conheço a pessoa de ___ você falou.
E) Você é tudo ___sonhei!
 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013


               Literatura– 7° ano  - Professora Elizângela

Mito

O texto a seguir foi retirado de um livro que reúne vários mitos gregos. Conta a história de Prometeu, um dos seis Titãs, raça de gigantes que habitou a Terra antes de o homem existir. Essa narrativa nos traz a visão  mitológica, de como os homens obtiveram o domínio do fogo.

 

PROMETEU

Prometeu era um jovem Titã que não tinha lá muito respeito por Zeus. Embora soubesse que o soberano dos céus se irritava quando lhe faziam perguntas muito diretas, não hesitava em confrontá-lo sempre que queria saber alguma coisa.

Certa manhã, dirigiu-se a Zeus e disse:

− Oh, grande Senhor dos Raios, não compreendo seu propósito. O senhor colocou a raça humana sobre a Terra, mas insiste em mantê-la na ignorância e na escuridão.

            − Da raça humana cuido eu – respondeu Zeus. – O que você chama de ignorância é inocência. O que você chama de escuridão é a sombra da minha vontade. Os mortais estão felizes como estão. E foram concebidos de tal forma que vão continuar felizes até que alguém os convença do contrário. Para mim esse assunto está encerrado.

Mas Prometeu continuou:

− Olhe para a Terra. Olhe para os homens. Eles vivem nas cavernas, andam à mercê dos animais selvagens e das mudança  do tempo. Comem carne crua! Se existe algum propósito nisso, eu imploro, diga-me qual é! Por que o senhor se recusa a dar aos homens o dom do fogo?

Zeus respondeu:

− Por acaso você não sabe, jovem Prometeu, que para cada dom existe uma punição? É assim que as Moiras fiam o destino, ao qual até mesmo os deuses devem se submeter. Os mortais não conhecem o fogo, é verdade, nem os ofícios que dele advêm. Por outro lado, também, não conhecem a doença, a velhice, a guerra, nem aquela peste interior chamada preocupação. Acredite em mim, eles estão felizes sem o fogo. E assim devem permanecer.

− Felizes como os animais – argumentou Prometeu. – Qual é o sentido de criar os humanos e fazer deles uma raça distinta, dotando-os de escassa pelagem, de certa inteligência e do curioso charme da imprevisibilidade? Se devem viver dessa maneira, por que separá-los dos animais?

− Os humanos têm ainda outra qualidade – disse Zeus – Eles possuem o dom da adoração: uma  para admirar nosso poder, para ficarem intrigados diante de nossos enigmas, para se maravilharem diante de nossos caprichos. Foi para isso que foram criados.

− Mas não ficariam mais interessantes se dominassem o fogo e criassem maravilhas com ele?

− Mais interessantes, talvez, porém infinitamente mais perigosos. Pois os humanos contam ainda com mais esta característica: a vaidade, um orgulho próprio que, ao menor estímulo, pode adquirir proporções descomunais. Dê a eles o progresso, e eles imediatamente se esquecerão daquilo que os torna seres assim tão aprazíveis: a humildade e a disposição para adorar. Vão ficar todos cheios de si e vão começar a se considerar deuses também. Corremos o risco de vê-los bem aqui, à nossa porta, prontos para invadir o Olimpo. Agora chega, Prometeu! Tenho sido paciente com você, mas minha paciência tem limites! Agora vá embora, e não me perturbe mais com suas especulações.

Prometeu não se deu por satisfeito. Passou toda aquela noite acordado, fazendo planos. Na madrugada, levantou-se de seu sofá e, pé ante pé, atravessou o Olimpo. Segurava um caniço dentro do qual havia um pavio de fibras secas. Assim que chegou à beira do monte, esticou o braço em direção ao horizonte leste – onde

brilhavam os primeiros raios de sol – e deixou que o pavio se acendesse no fogo. Em seguida, escondeu o caniço em sua túnica e desceu à Terra.

De início, os homens ficaram assustados com o presente. Era tão quente, tão fugaz... Não se deixava tocar e, por puro capricho, fazia dançar as sombras que criava sobre o chão. Eles agradeceram a Prometeu e pediram que ele levasse o presente de volta. Mas Prometeu buscou a carne de um cervo caçado recentemente e a segurou sobre o fogo. Quando a carne começou a assar e a crepitar, impregnando a caverna com seu cheiro delicioso, as pessoas se deixaram levar pela fome e se lançaram sobre o assado, devorando-o voluptuosamente e queimando suas línguas.

− Isto que trouxe de presente chama-se “fogo” – explicou Prometeu. – Trata-se de um espírito indomável, um pequeno irmão do Sol. Mas se for tratado com cuidado, poderá mudar a vida de toda a humanidade. Também é um espírito guloso; vocês devem alimentá-lo com galhos e folhas, porém somente até que ele atinja um tamanho adequado. Depois disso, não o alimente mais, ou ele devora tudo que  estiver ao seu alcance, inclusive vocês. Somente uma coisa será capaz de detê-lo: a  água. O espírito do fogo teme o espírito da água. Se for tocado pela água, ele desaparece até que seja chamado novamente.

Prometeu saiu da caverna onde estava e deixou ali uma fogueira acesa.  Criancinhas com olhos arregalados se juntaram em torno da novidade. Em seguida, percorreu todas as cavernas sobre a face da Terra e repetiu o mesmo discurso.

Algum tempo depois, Zeus olhou do alto do Olimpo e ficou perplexo. Tudo havia mudado. Os homens haviam deixado suas cavernas. Zeus viu cabanas de lenhadores, fazendas, vilarejos,  cidades muradas, e até mesmo um castelo ou dois. Os homens cozinhavam os alimentos e carregavam tochas para iluminar seu caminho à noite. No interior de oficinas flamejantes, fabricavam cochos, quilhas, espadas e lanças. Construíam navios e costuravam velas, ousando se aproveitar da fúria dos ventos para se locomover. Usavam capacetes e travavam batalhas montados em bigas, assim como faziam os próprios deuses.

Zeus ficou furioso e imediatamente apanhou o maior raio de que dispunha.

− Se eles querem fogo – disse a si mesmo – , então fogo eles terão! E muito mais do que pediram! Vou transformar aquele mísero planeta que eles chamam de Terra em um monte de cinzas! – Mas, de repente, uma ideia surgiu em sua mente e Zeus abaixou o braço. – Além de vingança – prosseguiu – quero diversão! Que eles se destruam com suas próprias mãos e suas próprias descobertas! Vai ser um espetáculo longo, muito interessante de se ver! Deles posso cuidar depois. Meu assunto agora é com Prometeu!

            Zeus chamou sua guarda de gigantes e ordenou que eles prendessem Prometeu, levassem-no até o Cáucaso e o amarrassem ao pico de uma montanha com correntes tão fortes – especialmente forjadas por Hefesto – que nem um Titã em fúria seria capaz de arrebentá-las. Feito isso, chamou dois abutres e mandou que eles comessem lentamente o fígado daquele obstinado amigo dos mortais.

Os homens sabiam que algo de terrível acontecia no alto da montanha, mas não sabiam exatamente o quê. O vento uivava como um gigante atormentado e , às vezes, gritava como as aves de rapina.

Prometeu permaneceu ali durante muitos séculos, até nascer outro herói suficientemente corajoso para desafiar os deuses. Esse herói foi Heracles, que subiu até a montanha, cortou as correntes que prendiam Prometeu e matou os abutres.

Bernard Evslin. Heróis, deuses e monstros da mitologia grega.  São Paulo: Arxjovem, 2004. (Texto adaptado)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Dicas de leitura

 

  • A droga da obediência, Pedro Bandeira
  • Donos das ruas, Ilsa Lima Monteiro
  • Ninguém me entende nessa casa!, Leo Cunha
  • O assassinato do conto policial, Paulo Rangel
  • O caçador de pipas, Khaled Hosseini
  • Um amor em Barcelona, Lavínia Rocha Ferreira
  • Um garoto consumista na roça, Júlio Emílio Braz

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Papagaio congelado

      Um dia, um sujeito ganhou de presente um papagaio.
      O bicho era uma praga. Não demorou muito, logo se espalhou pela casa.
      Atendia telefone.
      Gritava e falava sozinho nas horas mais inesperadas.
      Dava palpite nas conversas dos outros.
      Discutia futebol.
      Fumava charuto.
      Pedia café, tomava, cuspia, arregalava os olhos, esparramava semente de girassol e cocô por todo lado, gargalhava e ainda gritava para o dono de casa: "Ô seu doutor, vê se não torra faz favor!"
      Uma noite, a família recebeu uma visita para jantar.
      O papagaio não gostou da cara do visitante e berrou: "Vai embora, ratazana!" e começou a falar cada palavrão cabeludo que dava medo.
      Depois que a visita foi embora, o dono da casa foi até o poleiro. Estava furioso:
      - Seu mal-educado, sem-vergonha de uma figa! Estou cheio! Agora você vai ver o que é bom pra tosse.
      Agarrou o papagaio pelo cangote e atirou dentro da geladeira:
      - Vai passar a noite aí de castigo!
      Depois, fechou a porta e foi dormir.
      No dia seguinte, saiu atrasado para o trabalho e esqueceu o coitado preso dentro da geladeira.
      Só foi lembrar do bicho à noite, quando voltou para casa.
      Foi correndo abrir a geladeira.
      O papagaio saiu trêmulo e cabisbaixo, com cara arrependida, cheio de pó gelado na cabeça.
      Ficou de joelhos.
      Botou as duas asas na cabeça.
      Rezou.
      Disse pelo amor de Deus.
      Reconheceu que estava errado.
      Pediu perdão.
      Disse que nunca mais ia fazer aquilo.
      Jurou que nunca mais ia fazer coisa errada, que nunca mais ia atender telefone e interromper conversa, nem xingar nenhuma visita.
      Jurou que nunca mais ia dizer palavrão nem "vai embora, ratazana".
      Depois, examinando o homem com os olhos arregalados, espiou dentro da geladeira e perguntou:
      - Queria saber só uma coisa: o que é que aquele franguinho pelado, deitado ali no prato, fez?

Anedota recontada por Ricardo Azevedo
Tira-dúvidas
O uso da palavra anexo(a) e da expressão em anexo.
  1. A palavra anexo é um adjetivo, portanto deve concordar com o substantivo a que se refere, vejas alguns exemplos:
  •  Segue anexo o documento solicitado.
  • Segue anexa a lista de preço do material escolar.
  • Seguem anexas as reclamações dos consumidores
  • Seguem anexos os documentos dos novos funcionários.
    2.  Já a expressão invariável em anexo, não gera muita dúvida, pois não muda, fica sempre do mesmo jeito, obeserve os exemplos:
  • Em anexo, segue o documento solicitado.
  • Segue, em anexo, a lista de de preço do material escolar.
  • Seguem, em anexo, as reclamações dos consumidores.
Elizângela França